Mostrando postagens com marcador A Longa Noite dos Generais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A Longa Noite dos Generais. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de abril de 2013

A LONGA NOITE DOS GENERAIS - PARTE 5 (ÚLTIMA): A HERANÇA DA DITADURA


Na última postagem da nossa série, vamos as conseqüências da Ditadura, e a herança que temos até hoje em nosso país. A passividade com que vemos as coisas é uma das heranças da Ditadura. Façamos uma reflexão da nossa democracia e suas falhas. Mas ainda é melhor ela, do que as tortura dos generais.

Nas últimas quatro postagens falamos apenas sobre o Regime Militar. A intenção foi simples, não deixar cair no esquecimento o que significou a Ditadura Militar. O tempo pode passar, mas as marcas não foram, nem podem ser apagadas.

Muito se fala do futuro deste país, mas muito rapidamente se esquece do seu passado, e podemos com ele aprender muito, para que o que ainda está por vir.

No facebook, um grande amigo, me indagou sobre a democracia existente no Brasil, perguntou se eu acredito nela. Não, eu não acredito nesta democracia. Porque na verdade ela tem momentos democráticos, mas o poder não está na democracia. As eleições por exemplo estão nas mãos daqueles que têm dinheiro, e somado com um povo sem educação, está feito a desgraça. A eleição ela é uma arma da democracia, mas no Brasil, assim como em outros lugares do mundo, tem seus mecanismos alterados para beneficiar bandidos, que por trás da democracia, e em detrimento do povo, tomam conta deste país e governam em benefícios próprios ou em benefício de seus amigos.

Apesar de entender que a democracia em que vivemos é falha, ela ainda é o que temos, e pelo menos ainda podemos dizer o que pensamos. Podemos ter opiniões e expressá-las, mesmo que atualmente,as pessoas estejam sendo julgados por suas opiniões. Na democracia respeitamos as posições das pessoas, mesmo que não concordemos com elas. Não quer dizer que precisamos seguir suas opiniões, mas a respeitamos. Na democracia temos liberdade para pensar, e para agir, dentro das limitações impostas pelo respeito ao próximo. Mas não é bem isso que vemos, mas é assim que ela deveria funcionar.

Para um país realmente exercer o âmago da democracia é importante acima de tudo educação. Na Ditadura Militar, não só a liberdade nos foi retirada, mas alguns dogmas foram colocados e persistem até hoje. Um povo sem educação, e que não consegue entender o significado da importância dela, acaba gerando gerações deficientes, em todos os sentidos. Com a repressão, a capacidade do senso crítico foi grandiosamente atingida. As pessoas não conseguem discernir seus problemas de maneira crítica, e quando conseguem, são atacados pela grande herança do Regime Militar, a passividade. Talvez sejamos o povo mais pragmático do mundo. Vivemos o momento, e por muitas vezes não entendemos que nossas ações hoje, selam o nosso futuro.

Outra herança da Ditadura Militar é a idéia que se apresentou na sociedade que a contestação é algo errado. A manifestação então é baderna, ato de quem não tem o que fazer. Se alguém pensa, e vive realmente seu senso crítico, é um revoltado, não merece crédito. Tem sempre aquele termo:”Querem tumultuar”. O jovem passou a ser rotulado como rebelde, e com o passar do tempo, acabou sendo. A rebeldia durante o Regime, era contra a ordem, mas que ordem? A dos militares.A nossa sociedade é hipócrita, e gosta de ser assim. Gosta de criticar quem fala algo, mas não se movimenta para mudar as coisas. Prefere ver a novela, que reflete a esperança de dias melhores, ou da riqueza de mocinhos, que tanto a população queria ter, e nunca terá. O brasileiro gosta de fugir da realidade, porque na verdade não quer ser o que é. Idolatra o que vem de fora, e isso aumentou muito nos “anos de chumbo”. Idolatramos os Estados Unidos. Sua língua e sua cultura estão aqui no Brasil, nos escravizando e definindo muitas vezes nosso modo de vida. O Estados Unidos é um capítulo a parte. Esteve envolvido diretamente no Golpe Militar de 1964, financiando e dando suporte para tal. Os presidentes militares sempre fizeram a vontade dos americanos.

Os militares em suma, na minha opinião, não deixou nada que presta. Como herança, além do que já citei, também existe um endividamento externos grandioso do país, decorrente da construção de grandes obras com  licitações forçadas para grupos de grandes empreiteiros que juntamente com grandes empresas financiaram o Golpe de Estado. Parecido com o que Sérgio Cabral faz no Rio de Janeiro.

Encerramos assim a nossa série de postagens sobre a Ditadura. Encerro sabendo que o medo de algo parecido acontecer novamente é mínimo, mas que não podemos esquecer. Temos ainda que julgar esses assassinos que estão soltos. Milhares de pessoas foram torturadas, mortas e desaparecidas. Mas nunca esquecidas. A ativação da Comissão da Verdade pode, quem sabe colocar luz a muitas histórias tenebrosas escondidas nos porões da Ditadura. Quem sabe isso não acontece. É uma esperança, apesar que depois de muita tortura, a esperança, não morreu, e persiste, graças a Deus,  em existir e morar no Brasil.

Acesse também as outras partes da série: "A Longa noite dos generais", é só clocar abaixo:

A LONGA NOITE DOS GENERAIS - PARTE 1: UM GOLPE NA ESPERANÇA DO POVO



quinta-feira, 4 de abril de 2013

A LONGA NOITE DOS GENERAIS - PARTE 4: A DITADURA DESAFIADA PELA MÚSICA - A LISTA DE 8 MÚSICAS DE PROTESTO.


Na quarta parte da nossa série, vamos as músicas que marcaram época. A Ditadura em notas musicais. As composições de artistas que utilizaram seus talentos para confrontar o Regime, e protestar contra a falta de liberdade, contra o autoritarismo, e contra a tortura de se viver em um país de mentiras. A lista de 8 músicas protestando contra a Ditadura.

Capa do livro de Manu Pinheiro

Durante a Ditadura Militar, as manifestações contra o regime era proibido. Portanto, protestar contra o que se vivia era algo quase suicídio, mas mesmo assim muitos, mas muitos mesmo, não se amedrontaram e foram para cima.  Além das muitas manifestações de rua, a música foi utilizado como modo de protesto. Deve-se destacar as composições de Chico Buarque e Caetano que inclusive sofreram perseguições por tais críticas. Porém outros compositores também merecem estar nesta lista. Nas músicas, as mensagens nem sempre eram claras, elas vinham disfarçadas nos versos, na tentativa de driblar a censura.

Pela internet encontramos muitas dessas curiosidades, sobre como esses compositores tiveram suas músicas liberadas pela censura. Vale a pena procurar pela internet e ler. Pesquisando sobre estas músicas, uma seleção dessas músicas foi realizada, com algumas modificações se comparada a algumas listas pela rede.

          
Vamos a uma lista de 8 músicas que merecem nossa atenção e que retratam tudo o que me referi acima. Ouça, assista os vídeos, e analise.


1 – Cálice

"Cálice" é uma canção escrita e originalmente interpretada pelos cantores brasileiros Chico Buarque e Gilberto Gil em 1973. Na canção percebe-se um elaborado jogo de palavras para despistar a censura da ditadura militar. A palavra-título, por exemplo, é cantado pelo coral que acompanha o cantor de forma a soar como um raivoso "Cale-se!". A canção teve sua execução proibida durante anos no Brasil. Na gravação, as estrofes de Gil, que estava trocando a PolyGram pela WEA, foram interpretadas por Milton Nascimento, fazendo coro com o MPB4, em dramático arranjo de Magro.



2 – O Bêbado e o Equilibrista

Um dos maiores clássicos da parceria João Bosco & Aldir Blanc é “O Bêbado e a Equilibrista”. Mais do que um clássico, essa música  foi um hino. Um hino do Brasil na época da ditadura e da anistia. “Com ela, a música popular soube encarnar como absoluta perfeição o momento histórico”, já disse Geraldo Carneiro.  “Em uma certa hora aquela música cai na mão da Elis Regina e ela se apaixona. Quando ela grava está completamente possuída por aquela música, já não nos pertence”, já disse João Bosco. Lançada em 1978, a música tem forte teor político. Mas surgiu, na verdade, como um desejo de João Bosco homenagear Charles Chaplin. Chaplin tinha morrido no Natal de 1977.  O momento político do Brasil é lembrado várias vezes, em metáforas ou em menções como “Choram Marias e Clarisses” . As Marias e Clarices eram as viúvas dos presos políticos, representadas na letra pela Maria, mulher de Manuel Fiel Filho, e pela Clarisse, de Vladimir Herzog: os dois morreram nos porões do DOI-CODI. 



3 – Caminhando (Pra não dizer que não falei das flores)
Usando seu talento poético e musical, Vandré ousou driblar a censura implacável que os militares reservavam a toda manifestação cultural que fosse de encontro do regime estabelecido, para lançar no ar uma mensagem musical, alertado o povo brasileiro para a situação reinante, e principalmente para a necessidade desse povo tomar para si as rédeas da história. Só assim seria possível tirar o país das trevas social e política em que o mesmo fora colocado, por um regime militar reconhecidamente excludente. “PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES” foi apresentada ao público no Festival da Canção. Premiada pelo júri com a segunda colocação, mas a canção de Vandré era forte o suficiente, e não apenas resistiu à incompreensão dos jurados e da ditadura militar – que proibiu sua execução por anos -, mas acabou transformando-se no hino oficial de toda uma geração politicamente consciente e devidamente engajada em um dos movimentos sociais.


4 – Apesar de você

É uma canção escrita e originalmente interpretada pelo cantor e compositor brasileiro Chico Buarque em 1970, lançada inicialmente como compacto simples naquele mesmo ano. A canção, por lidar implicitamente com a falta de liberdades durante a ditadura militar, foi proibida de ser executada pelas rádios brasileiras pelo governo do general Emílio Garrastazu Médici. No entanto, seria liberada oito anos mais tarde, durante o final do governo de Ernesto Geisel. Além disso, a cantora Clara Nunes, que regravou a canção sem saber de seu tema implícito, viu-se obrigada a se apresentar nas Olimpíadas do Exército de 1971 para compensar o mal-entendido. Em fevereiro de 1971, o jornalista Sebastião Nery, do Tribuna da Imprensa, publicou uma nota em sua coluna dizendo que seu filho e os colegas dele cantavam "Apesar de Você" como se estivessem cantando o Hino Nacional. Como resultado, Nery foi chamado para depor na polícia. Semanas depois, a execução pública da canção foi vetada pelo governo, que finalmente compreendeu sua mensagem. Os oficiais do regime invadiram a sede da Philips e destruíram as cópias restantes do disco. O censor que aprovou a canção também foi punido. Os oficiais do governo, no entanto, não destruíram a matriz, o que possibilitou a reedição da versão original da gravação. Num interrogatório, Buarque foi indagado sobre quem era o "você" da letra da canção. "É uma mulher muito mandona, muito autoritária", teria respondido o cantor.




5 – É proibido proibir

Lançada em 1968, É Proibido Proibir é a canção de protesto mais conhecida feita por Caetano Veloso, um dos maiores clássicos da MPB. Feita durante o período mais conturbado da Ditadura Militar, no chamado Anos de Chumbo (1968-1975), essa música crítica a dureza dos órgãos de repressão, usando um dos lemas da contracultura (Proibido Proibir), misturou o rock psicodélico com a poesia naturalista brasileira e performances hippies, criando uma música inteligente e muito amalucada, causou a ira da censura e do público, o qual vaiou imensamente durante sua apresentação acompanhado pela banda de rock Os Mutantes no III Festival da Canção, o qual Caetano Veloso proferiu um discurso histórico dizendo que a juventude não estava entendo a mensagem da música.


6 – Vai Passar

A música ‘Vai passar’, de Chico Buarque de Holanda, foi lançada em 1984, fim da Ditadura Militar, e tal letra geralmente é associada a este período. Nós partimos da ideia de que só metaforicamente a letra se refere a Ditadura Militar, pois parece-nos claro tratar do surgimento do carnaval nos moldes que ele é mais conhecido hoje em nosso senso comum: o carnaval carioca, organizado por escolas que desenvolvem sambas-enredos.

7 – Alegria, Alegria

"Alegria, Alegria" é uma canção da autoria de Caetano Veloso que foi um dos marcos iniciais do movimento tropicalista em 1967. Em cada verso, revelações da opressão ao cidadão em todas as esferas sociais. A letra critica o abuso do poder e da violência, as más condições do contexto educacional e cultural estabelecido pelos militares, aos quais interessava formar brasileiros alienados.


8 – Roda Viva

Essa letra faz parte da famosíssima peça de mesmo nome, escrita em 1967 e que, um ano depois, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, recebeu montagem à altura, no teatro Oficina. Chico Buarque, que até então era "a única unanimidade brasileira", nas palavras de Millôr Fernandes, chocou parte de seu público com a radicalidade crítica e o tom francamente agressivo da peça. Mas vamos à letra Roda-viva: ela tem um chão histórico específico, ou seja, os obscuros anos da ditadura. É desse tempo que ela data e é o que esse tempo representou para a experiência brasileira que ela aborda e cifra. Eu falei em "cifra"? Sim, a palavra cifra tem, além da acepção comercial que conhecemos, o sentido de explicação de escrita hermética, enigmática, e, por extensão, passa a significar essa própria escrita. Decifrar é justamente tirar a cifra, tornar o texto claro, interpretá-lo. Como dissemos, a composição de Chico se originou em meio ao turbilhão da instauração da ditadura militar no Brasil. Ditadura que representava, para a cultura, simplesmente o fim da liberdade de expressão. Um meio muito utilizado na época (e, de um modo geral, em períodos não democráticos, no Brasil e em outros países) para driblar a censura foi a metáfora, o despistamento, a linguagem figurada, a cifra. Alguns escritores e jornalistas falavam aparentemente de flores e rouxinóis, quando estavam se referindo à situação político-social brasileira.




Acesse também as outras partes da nossa série "A Longa noite dos generais"

A LONGA NOITE DOS GENERAIS - PARTE 1: UM GOLPE NA ESPERANÇA DO POVO














quarta-feira, 3 de abril de 2013

A LONGA NOITE DOS GENERAIS - PARTE 3: O PRESIDENTE DA CBF E A DITADURA - A MORTE DE VLADIMIR HERZOG


Hoje veremos a ligação entre o atual Presidente da CBF com a Ditadura Militar. Seus discursos levaram a morte de Vladimir Herzog. José Maria Marin era Deputado em São Paulo pela ARENA. Apoiador direto do Regime, Marin rasgava de elogios o delegado Fleury, torturador e assassino. A Ditadura e suas ligações tenebrosas até o dia de hoje.

Qual seria a relação entre José Maria Marin, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), e o jornalista morto pela ditadura Vladimir Herzog? Sem rodeios e indo direto ao assunto, vamos fazer uma explicação breve sobre assunto. Em 1975, Herzog dirigia a TV Cultura. O Regime Militar que naquela altura já tinha torturado e matado milhares de pessoas,se achava o dono do Brasil, e tinha o apoio de políticos, como Marin, que era deputado pela ARENA. Em um discurso na Assembléia Legislativa em 1975, Marin, pedia “providências para o que está acontecendo no Canal 2”. Marin, falava diretamente sobre Herzog, que era um opositor ao Regime. Dezesseis dias depois Herzog foi chamado para prestar esclarecimentos no Doi-Codi, em São Paulo. Entrou e nunca mais saiu. O Governo na época divulgou que Herzog se matou, e ainda apresentou uma foto safada, onde Herzog morto, se suicidara de uma altura onde seu corpo poderia ficar perfeitamente de pé. O responsável pelo Doi-Codi de São Paulo era nada menos do que Sérgio Fleury, um assassino e torturador, que ficou conhecido como principal integrante do “esquadrão da morte”. Fleury foi agraciado durante a Ditadura com vários prêmios, e escolhido delegado do ano em duas ocasiões, mesmo com acusações de homicídios e torturas.

A verdade é que Vladimir Herzog foi preso ilegalmente, torturado e morto pelo Regime Militar. O discurso de Marin foi fundamental, para esse ato. Dias depois Marin voltou a tribuna da Assembléia Legislativa em 1975 e declarou: Queremos nesta oportunidade, prestar nossos melhores cumprimentos a um homem que, de há muito, vêm prestando relevantes serviços à coletividade, embora nem sempre tenha sido feita justiça ao seu trabalho", disse Marin, que prosseguiu. "Referimo-nos ao Delegado de Polícia Sérgio Fleury. Existe mais o que declarar? Não.

José Maria Marin, era apoiador da Ditadura, instigando mortes e torturas. O atual Presidente da CBF, uma das instituições mais sombrias do país, é tão assassino quanto aqueles que mataram Herzog. Esse é o homem que comanda o futebol brasileiro, um bem nacional, que pertence ao povo. Sobre a CBF existem todos os tipos de acusações. José Maria Marin também é aquele que roubou uma medalha na premiação da Copa São Paulo de futebol Junior em 2012.

O nosso país está cheio desses monstros soltos por aí. Assassino que nunca foram julgados, e seus crimes ferem a nossa humanidade. Não sou muito otimista com a Comissão da Verdade, acho que ela até quer abrir arquivos, elucidar assuntos, mas não acredito que exista coragem para se fazer prisões e levar esses bandidos a julgamentos. Não consigo, porém, entender como pode haver democracia com estas pessoas soltas, participando de atividades populares, como se fossem pessoas de bem. Entre eles estão Paulo Maluf, José Sarney, Marco Maciel, Pedro Simon, Antonio Carlos Magalhães (já no Inferno), Agripino Maia (a família), Romeu Tuma (era da Polícia, só entrou para a política depois), Íris Resende, Jarbas Vasconcelos, Jarbas Passarinho (não sei se ainda esta vivo), Antonio Fleury Filho (também veio da Polícia) e Delfim Neto.

A ligação entre essa triste página da nossa história e pessoas que hoje estão no poder, precisa ser reavaliada, e podemos incluir a Globo. Essa avaliação precisa ser feita por nós mesmos, esta conscientização tem vir da escola. A educação é a única arma contra o autoritarismo e a intolerância.

Amanhã veremos a música na Ditadura, e a atuação de Chico Buarque na oposição contra o Regime e as suas memoráveis composições. Na sexta terminaremos a nossa semana especial de postagens, recordando a Ditadura Militar e seus horrores.

Abaixo o vídeo, que prova quando José Maria Marin rouba uma medalha na mão grande, na premiação da Copa São Paulo. Belo exemplo.


Acesse também:


A LONGA NOITE DOS GENERAIS - PARTE 2: A DITADURA EM FOTOS.





terça-feira, 2 de abril de 2013

A LONGA NOITE DOS GENERAIS - PARTE 2: A DITADURA EM FOTOS.


Continuando a nossa semana de lembranças do período mais triste da nossa história, hoje teremos a Ditadura Militar no Brasil em fotos, que por si só, já dão o recado. As torturas e os assassinatos estarão presentes nessas fotos abaixo. As manifestações reprimidas com violência, e o medo, que apesar de não ser impresso em fotos, pode ser sentido nas imagens.

No dia de hoje estarei dando ênfase a Ditadura Militar no Brasil em fotos. Essa lembrança é necessária. No dia de ontem, poucos veículos da imprensa deram espaço para esta data, o que me faz pensar que na verdade não a interesse de se lembrar de algo tão importante. Nos últimos dias se falou da Comissão da Verdade, mas para que serviria isso? Qual o objetivo desta comissão? Trazer  a verdade sobre o que?

No Regime Militar, tivemos a imprensa censurada, manifestantes presos e morta, opositores torturados e assassinados, e a liberdade roubada. Durante 21 anos, tocaram o terror, e mentiram descaradamente. No dia de amanhã falaremos sobre Herzog e o Presidente da CBF, José Maria Marin, um assunto que tem tomado força nos últimos dias.

As fotos abaixo passam a impressão real, era proibido pensar, criticar então, de jeito nenhum. O medo rondava as casas e serviu para adestrar um povo. As fotos falam por si, algumas terão legendas, mas outras não existirá necessidade. Vamos a elas.

Não fale, não emita opinião. Essa era a máxima da  Ditadura Militar

Estudante Édson Luís é assassinado.

Repressão





Castelo Branco. O primeiro Presidente do Regime



Manifestações

A censura fazia parte do dia a dia. A Cultura era censurada.

Violência.

O AI-5. Um ato Institucional que acabava com a liberdade e a oposição.


Militantes do PC do B são mortos pelo DOI-Cod



Vladimir Herzog. Morto pela Ditadura


segunda-feira, 1 de abril de 2013

A LONGA NOITE DOS GENERAIS - PARTE 1: UM GOLPE NA ESPERANÇA DO POVO


No dia 1º de abril de 1964, o Brasil começa a viver uma página triste da sua história. O Golpe Militar foi nada mais, nada menos, do que um assassinato em massa. Morreram pessoas, a democracia e a esperança, enquanto militares enriqueciam, e a sociedade empobrecia. Os anos se passam, e os arquivos continuam fechados, e assassinos não são julgados. Somos um país de esquecimentos, mas quando esquecemos de que isso aconteceu, esquecemos de nós mesmos.

A Ditadura Militar foi marcada pela censura a imprensa, torturas e assassinatos.
No aniversário do dia mais triste da nossa história, eu fico pensando que somos o resultado de nossas ações, tanto individualmente, como coletivamente. Há exatos 49 anos, ainda de madrugada, se iniciou uma conspiração, para retirar o presidente eleito e instaurar um regime autoritário e assassino, onde a democracia e a sociedade foram massacradas pelos interesses financeiros, de militares, americanos e de uma sociedade burguesa servil, que até hoje toma conta de pontos importantíssimos do nosso país.

Presidente João Goulart discursando
 no Comício na Central do Brasil.
Para entender o golpe é necessário voltar bem mais do que um ano, mas neste momento, voltarei poucos dias do mesmo mês de 1964. No dia 13 de março de 64, no comício da Central do Brasil, 200 mil pessoas estiveram no local. No evento, João Goulart anuncia medidas sociais, que como sempre incomodam uma elite acomodada a ganhar a custa do povo. Entre seus anúncios estavam a nacionalização das refinarias de petróleo privadas, e a desapropriação de terras para a reforma agrária, situadas as margens das rodovias federais. Nenhuma dessas medidas eram prejudiciais ao povo, muito pelo contrário.

Estive no centro do Rio de Janeiro na semana passada, e passando pela Central do Brasil, lembrei-me de uma entrevista que tinha lido a alguns anos atrás, que ressaltava as declarações de pessoas que estiveram na Central do Brasil naquela época. Em uma das declarações um senhor falava sobre como as pessoas foram andando em direção a Central do Brasil, com a esperança no olhar. Enquanto o ônibus passava pelo em torno da Central, eu imaginava essas pessoas em direção ao comício, e imaginava ainda mais, a esperança no olhar destes personagens históricos. O olhar do pobre, que pela primeira vez ouvia algo, que pouco se sabia o significado, mas parecia ser promissor. Palavras como moradia e desenvolvimento de uma nação, podem e devem fazer parte da realidade de uma sociedade e não do seu imaginário.

Na Marcha da Família com Deus pela Liberdade
as faixas pediam democracia, mas a passeata liderada por
conservadores, foi de apoio a uma intervenção militar, que
ao acontecer, não trouxe democracia.
Logo indaguei o dia 19 de março de 1964, com a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, realizada em São Paulo, como resposta ao comício no Rio de Janeiro. Fiquei imaginando como as cartas estavam na mesa, e as respostas imediatas. Os próximos dias seriam insuportáveis. A pressão vinha dos dois lados, e com certeza pesava contra Jango, uma certa inabilidade em alguns pontos, assim como ouvir demais as pessoas erradas. Os militares estavam se articulando, e assim se comportam. Em imediata resposta ao protesto da classe média, os marinheiros da Armada, liderados pelo Cabo Anselmo, organizados ao redor da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil, no dia 25 de março, alvoroçaram-se no Rio de Janeiro. Durante o chamado Motim da Semana Santa, os 1200 marujos rebeldes concentrados no Palácio do Aço, sede do sindicato dos metalúrgicos, receberam ainda a adesão de um destacamento de 26 fuzileiros navais que se dirigira para o local para prendê-los. João Goulart não demorou igualmente em anistiá-los. Dali em diante, pelo Presidente ter-se posicionado novamente a favor dos estamentos subalternos, ferindo assim os princípios da hierarquia militar, praticamente mais ninguém na alta chefia militar lhe deu sustentação.

No dia 30 de março, Jango comparece a uma confraternização no Automóvel Clube do Rio de janeiro, onde recebe as homenagens dos subtenentes e dos sargentos pela defesa que fizeram aos interesses deles. Neste mesmo encontro, o Cabo Anselmo, líder dos revoltosos, discursou. Foi a última aparição pública de João Goulart. Assistindo tudo pela TV em Juiz de Fora, o General Mourão Filho, que já tinha aceitado, desde o dia 28 ser o comandante das tropas insurgentes, deu ordem para seus regimentos seguirem com o planejado.

Na madrugada do dia 1º o plano já estava em curso em sua execução, em uma madrugada longa, que duraria até 1985. A intervenção militar foi saudada por muitos setores, como: proprietários rurais, empresários, governadores de alguns estados, alguns setores da Igreja Católica e pela classe média. Ou seja, saudada pela elite, que não via nas ações de Jango, o futuro da manutenção de suas riquezas.

Em detrimento do povo, o Golpe foi realizado, e com ele tudo de ruim que se poderia acontecer em um país. O Governo Militar matou, violentou, torturou e dizimou. Mentiu que vivíamos um espetáculo de crescimento, enquanto a dívida aumentava cada dia mais e paga sempre com a esperança do povo. As conseqüências deste golpe foram profundas, não só para a nossa história, mas também para o nosso povo. Existe hoje a deturpação do ativismo, a invenção de uma democracia, que na verdade é comandada pelo dinheiro, e não pela vontade do povo, e uma mídia circense, que vive de entreter para alienar. Somos pacíficos politicamente e sem educação, o que nos torna incapazes de transformarmos a nossa sociedade. Temos heranças malditas de muitas épocas, mas nos massacra lembrar das mortes que até hoje assombram a nossa história, e que absurdamente nos são negados o direito aos seus arquivos.

Para terminar, e continuarei a postar por vários dias sobre o Golpe Militar, ainda esta semana, se não dá para voltar no tempo, pelo menos que aprendamos algo com isso. Hoje não temos militares tentando o poder, mas temos outros usurpadores, que podem tomar o poder, com o nosso próprio voto. Precisamos votar melhor, e buscar mais educação.

A Ditadura Militar é um capítulo longo e triste da nossa história, que precisa ter seus arquivos abertos, e militares julgados. Não pode passar como algo que praticamente não aconteceu. Temos hoje representantes deste regime no poder de muitas coisas. Na presidência da CBF está José Maria Marin, que era deputado estadual pela ARENA, e que pode ser considerado um dos incentivadores do assassinato de Valdimir Herzog, história essa que será contada em uma postagem próxima.

Precisamos repensar nossa história. E pensando nisso, estarei esta semana até a sexta feira, falando sobre a Ditadura Militar em posts diários, com o objetivo da reflexão e análise deste momento triste esquecido por muitos.