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segunda-feira, 8 de julho de 2013

POLÍCIA MILITAR - A TROPA DO CABRAL.

Depois de dias sem postar nada, vamos falar de um problema nacional, com requintes de crueldade, a Polícia. Se tratando de Rio de Janeiro a coisa piora, e muito. O histórico é péssimo, e quem deveria proteger, passa medo. Nas manifestações ocorridas em todo país no mês passado, a Polícia também participou, sendo ela mesma, truculenta, incompetente e agindo pelos interesses de seus chefes, os governantes. A corrupção virou uma insígnia, quase uma honraria.


Há dias que estou para postar essa matéria. Por motivos pessoais, estive muito pouco na internet, impossibilitando de fazer as atualizações não blog. Mas aos poucos vamos tentando dar velocidade as postagens do blog.

Há dias também venho pensando nesta postagem e nesse assunto, a Polícia Militar do Rio de Janeiro. Percebe-se claramente a falência desta instituição, e não é exagero dizer que a mesma é uma das instituições mais corruptas do estado. Quando criança, muitas vezes nos diziam no meio da rua o termo: “Olha a polícia aí, ela vai brigar”. A imagem passada por muitos adultos sobre a polícia, para com as crianças, é o reflexo do que ela representa para a sociedade. Em esquinas de cada lugar deste estado o perigo ronda, e por muitas vezes o medo é deflagrado pela própria polícia, que pratica extorsões e atos de truculência, e histórias neste sentido não faltam.

No governo Garotinho, muito se falou sobre a “Banda Podre”, da Polícia Militar, e aos poucos foi se percebendo, que esta banda era muito maior do que se imaginava. O filme “Tropa de Elite”, claro muito voltado para a força simbolizado do BOPE, dentro de um sistema todo corrompido, trata do assunto com detalhes que sempre deixou as chefias da PM com vergonha. A continuação do filme, detalhou ainda mais a corrupção dentro da corporação, e termina com uma mensagem de que a história pode não ter um final feliz. O fracasso de muitas UPP’s e o aumento da milícia, principalmente na Zona Oeste, traz ainda mais desconfiança sobre o sistema policial.

Claro, que muitos fatos sobre a Polícia, ficam ainda mais a tona com a participação negativa da mesma Polícia na repressão contra as manifestações, que ocorreram no mês passado. A Polícia espalhada em todo o país se destacou pela falta de habilidade da corporação. Muitos atos de truculência e covardia foram acometidos por aqueles que deveriam estar pronto a servir a população. E não estou falando de ato contra vândalos, e sim contra manifestantes. Com o advento das câmaras e redes sociais, fotos, e filmagens completas se espalharam pelo país mostrando como a Polícia pode ser mais do seu mesmo, incompetente, truculenta e bandida. NO vídeo abaixo, quase no seu final, podemos ver claramente a ação da polícia de maneira covarde.

A última foi vista ao vivo, por milhares de pessoas, pelo MidiaNinja. Na manifestação na porta do Cabral, Governador do Estado do Rio de Janeiro. Morando em uma das áreas mais caras do Rio de Janeiro, no Leblon, Cabral teve na sua porta mais uma manifestação, que aconteceu de maneira pacífica, até a Polícia decidir ser ela mesmo. Com uma acusação mentirosa de que pedras estavam sendo atiradas por manifestantes, a polícia chegou ao ponto de tacar bombas dentro de um ônibus. Prendeu manifestantes na areia da praia, de cara no chão. Essa ação deveria acontecer com bandidos, os mesmos que são presos e soltos, depois de um agrado a Polícia Militar.

É óbvio que existe policiais sérios, que são prejudicados por uma maioria de bandidos de farda. Em todas as profissões existem indivíduos que envergonham a categoria. Tem muito professor ruim, advogado ruim, médico com má vontade e por aí vai. Mas o caso da polícia vem se mostrando um perigo constante, que vem amedrontando uma população, que tinha que ver nos mesmos policiais, o respeito, o cuidado e a segurança.


A Polícia precisa ser revista, porque neste momento é uma “Tropa do Cabral”, explorado pelo governo e alienado pelo mesmo. É necessário uma polícia que funcione, e que não exista apenas para agraciar a mídia sedenta de matérias. Não precisamos de uma polícia que não sabe o seu papel. Mas o que esperar de uma polícia governada por alguém que vendeu o Rio de Janeiro para empresários em troca de muitos milhões.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A LONGA NOITE DOS GENERAIS - PARTE 4: A DITADURA DESAFIADA PELA MÚSICA - A LISTA DE 8 MÚSICAS DE PROTESTO.


Na quarta parte da nossa série, vamos as músicas que marcaram época. A Ditadura em notas musicais. As composições de artistas que utilizaram seus talentos para confrontar o Regime, e protestar contra a falta de liberdade, contra o autoritarismo, e contra a tortura de se viver em um país de mentiras. A lista de 8 músicas protestando contra a Ditadura.

Capa do livro de Manu Pinheiro

Durante a Ditadura Militar, as manifestações contra o regime era proibido. Portanto, protestar contra o que se vivia era algo quase suicídio, mas mesmo assim muitos, mas muitos mesmo, não se amedrontaram e foram para cima.  Além das muitas manifestações de rua, a música foi utilizado como modo de protesto. Deve-se destacar as composições de Chico Buarque e Caetano que inclusive sofreram perseguições por tais críticas. Porém outros compositores também merecem estar nesta lista. Nas músicas, as mensagens nem sempre eram claras, elas vinham disfarçadas nos versos, na tentativa de driblar a censura.

Pela internet encontramos muitas dessas curiosidades, sobre como esses compositores tiveram suas músicas liberadas pela censura. Vale a pena procurar pela internet e ler. Pesquisando sobre estas músicas, uma seleção dessas músicas foi realizada, com algumas modificações se comparada a algumas listas pela rede.

          
Vamos a uma lista de 8 músicas que merecem nossa atenção e que retratam tudo o que me referi acima. Ouça, assista os vídeos, e analise.


1 – Cálice

"Cálice" é uma canção escrita e originalmente interpretada pelos cantores brasileiros Chico Buarque e Gilberto Gil em 1973. Na canção percebe-se um elaborado jogo de palavras para despistar a censura da ditadura militar. A palavra-título, por exemplo, é cantado pelo coral que acompanha o cantor de forma a soar como um raivoso "Cale-se!". A canção teve sua execução proibida durante anos no Brasil. Na gravação, as estrofes de Gil, que estava trocando a PolyGram pela WEA, foram interpretadas por Milton Nascimento, fazendo coro com o MPB4, em dramático arranjo de Magro.



2 – O Bêbado e o Equilibrista

Um dos maiores clássicos da parceria João Bosco & Aldir Blanc é “O Bêbado e a Equilibrista”. Mais do que um clássico, essa música  foi um hino. Um hino do Brasil na época da ditadura e da anistia. “Com ela, a música popular soube encarnar como absoluta perfeição o momento histórico”, já disse Geraldo Carneiro.  “Em uma certa hora aquela música cai na mão da Elis Regina e ela se apaixona. Quando ela grava está completamente possuída por aquela música, já não nos pertence”, já disse João Bosco. Lançada em 1978, a música tem forte teor político. Mas surgiu, na verdade, como um desejo de João Bosco homenagear Charles Chaplin. Chaplin tinha morrido no Natal de 1977.  O momento político do Brasil é lembrado várias vezes, em metáforas ou em menções como “Choram Marias e Clarisses” . As Marias e Clarices eram as viúvas dos presos políticos, representadas na letra pela Maria, mulher de Manuel Fiel Filho, e pela Clarisse, de Vladimir Herzog: os dois morreram nos porões do DOI-CODI. 



3 – Caminhando (Pra não dizer que não falei das flores)
Usando seu talento poético e musical, Vandré ousou driblar a censura implacável que os militares reservavam a toda manifestação cultural que fosse de encontro do regime estabelecido, para lançar no ar uma mensagem musical, alertado o povo brasileiro para a situação reinante, e principalmente para a necessidade desse povo tomar para si as rédeas da história. Só assim seria possível tirar o país das trevas social e política em que o mesmo fora colocado, por um regime militar reconhecidamente excludente. “PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES” foi apresentada ao público no Festival da Canção. Premiada pelo júri com a segunda colocação, mas a canção de Vandré era forte o suficiente, e não apenas resistiu à incompreensão dos jurados e da ditadura militar – que proibiu sua execução por anos -, mas acabou transformando-se no hino oficial de toda uma geração politicamente consciente e devidamente engajada em um dos movimentos sociais.


4 – Apesar de você

É uma canção escrita e originalmente interpretada pelo cantor e compositor brasileiro Chico Buarque em 1970, lançada inicialmente como compacto simples naquele mesmo ano. A canção, por lidar implicitamente com a falta de liberdades durante a ditadura militar, foi proibida de ser executada pelas rádios brasileiras pelo governo do general Emílio Garrastazu Médici. No entanto, seria liberada oito anos mais tarde, durante o final do governo de Ernesto Geisel. Além disso, a cantora Clara Nunes, que regravou a canção sem saber de seu tema implícito, viu-se obrigada a se apresentar nas Olimpíadas do Exército de 1971 para compensar o mal-entendido. Em fevereiro de 1971, o jornalista Sebastião Nery, do Tribuna da Imprensa, publicou uma nota em sua coluna dizendo que seu filho e os colegas dele cantavam "Apesar de Você" como se estivessem cantando o Hino Nacional. Como resultado, Nery foi chamado para depor na polícia. Semanas depois, a execução pública da canção foi vetada pelo governo, que finalmente compreendeu sua mensagem. Os oficiais do regime invadiram a sede da Philips e destruíram as cópias restantes do disco. O censor que aprovou a canção também foi punido. Os oficiais do governo, no entanto, não destruíram a matriz, o que possibilitou a reedição da versão original da gravação. Num interrogatório, Buarque foi indagado sobre quem era o "você" da letra da canção. "É uma mulher muito mandona, muito autoritária", teria respondido o cantor.




5 – É proibido proibir

Lançada em 1968, É Proibido Proibir é a canção de protesto mais conhecida feita por Caetano Veloso, um dos maiores clássicos da MPB. Feita durante o período mais conturbado da Ditadura Militar, no chamado Anos de Chumbo (1968-1975), essa música crítica a dureza dos órgãos de repressão, usando um dos lemas da contracultura (Proibido Proibir), misturou o rock psicodélico com a poesia naturalista brasileira e performances hippies, criando uma música inteligente e muito amalucada, causou a ira da censura e do público, o qual vaiou imensamente durante sua apresentação acompanhado pela banda de rock Os Mutantes no III Festival da Canção, o qual Caetano Veloso proferiu um discurso histórico dizendo que a juventude não estava entendo a mensagem da música.


6 – Vai Passar

A música ‘Vai passar’, de Chico Buarque de Holanda, foi lançada em 1984, fim da Ditadura Militar, e tal letra geralmente é associada a este período. Nós partimos da ideia de que só metaforicamente a letra se refere a Ditadura Militar, pois parece-nos claro tratar do surgimento do carnaval nos moldes que ele é mais conhecido hoje em nosso senso comum: o carnaval carioca, organizado por escolas que desenvolvem sambas-enredos.

7 – Alegria, Alegria

"Alegria, Alegria" é uma canção da autoria de Caetano Veloso que foi um dos marcos iniciais do movimento tropicalista em 1967. Em cada verso, revelações da opressão ao cidadão em todas as esferas sociais. A letra critica o abuso do poder e da violência, as más condições do contexto educacional e cultural estabelecido pelos militares, aos quais interessava formar brasileiros alienados.


8 – Roda Viva

Essa letra faz parte da famosíssima peça de mesmo nome, escrita em 1967 e que, um ano depois, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, recebeu montagem à altura, no teatro Oficina. Chico Buarque, que até então era "a única unanimidade brasileira", nas palavras de Millôr Fernandes, chocou parte de seu público com a radicalidade crítica e o tom francamente agressivo da peça. Mas vamos à letra Roda-viva: ela tem um chão histórico específico, ou seja, os obscuros anos da ditadura. É desse tempo que ela data e é o que esse tempo representou para a experiência brasileira que ela aborda e cifra. Eu falei em "cifra"? Sim, a palavra cifra tem, além da acepção comercial que conhecemos, o sentido de explicação de escrita hermética, enigmática, e, por extensão, passa a significar essa própria escrita. Decifrar é justamente tirar a cifra, tornar o texto claro, interpretá-lo. Como dissemos, a composição de Chico se originou em meio ao turbilhão da instauração da ditadura militar no Brasil. Ditadura que representava, para a cultura, simplesmente o fim da liberdade de expressão. Um meio muito utilizado na época (e, de um modo geral, em períodos não democráticos, no Brasil e em outros países) para driblar a censura foi a metáfora, o despistamento, a linguagem figurada, a cifra. Alguns escritores e jornalistas falavam aparentemente de flores e rouxinóis, quando estavam se referindo à situação político-social brasileira.




Acesse também as outras partes da nossa série "A Longa noite dos generais"

A LONGA NOITE DOS GENERAIS - PARTE 1: UM GOLPE NA ESPERANÇA DO POVO