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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

ENTREGA DE ALEXANDRE PANÇARDES E O IRÔNICO SUGESTIVO MEDO DE PERDER SUA VIDA.

O assassino Alexandre Pançardes, se entregou agora a noite, porém, apesar da prisão deste bandido, a justificativa do delegado que alega que convenceu Xandinho, pois era mais seguro para o assassino pois sua integridade física estava ameaçada. Será que a Polícia teria a mesma paciência com um “Amarildo”?Será que receberia advogado de um pobre para negociar a sua entrega? Será que um pobre teria advogado? Ainda existe muito que acompanhar, pois o poder de alguns, pode falar mais alto.

As primeiras informações agora a noite e noticiado pela imprensa local é que Alexandre Pançardes se entregou a Polícia. Ainda sem dizer onde estava escondido, “Xandinho” como é conhecido está tendo seu depoimento recolhido pelo Delegado Antônio Furtado.

Ainda segundo o Delegado em declaração dada ao Diário do Vale, o assassino se entregou porque a Polícia o convenceu, pois a integridade física do meliante estava sendo ameaçada, onde segundo uma declaração anterior, existia informações que Xandinho estava jurado de morte.

Não consigo realmente entender. Ele tem que se entregar porque é o correto a ser feito. A Polícia tem que o prender, pois ele é uma ameaça a sociedade, e por não conseguir conviver com a mesma, terá privada sua liberdade. A Polícia então virou uma espécie de babá de bandido, que começa a implorar para foragidos se entregarem, se suas vidas forem ameaçadas? O Delegado perdeu uma bela oportunidade de ficar calado e fazer seu trabalho.

Mas assim como no post anterior (clique aqui), será que a polícia teria a mesma paciência com um “Amarildo”? Será que receberia os advogados de um pobre para negociar sua entrega? Será que esse obre teria advogados para irem até a delegacia? As respostas são simples, e muito claras. A ação da Polícia neste caso não foi de toda ruim, mas faz de uma prisão uma regalia, para alguém que estava com a vida em risco. O interessante é que Alexandre Pançardes em outro caso é suspeito de estupro, e mesmo solto, matou. O Delegado com todo respeito, teve a pior das justificativas, e com mais respeito ainda, a sua obrigação é defender a integridade de todo uma população, e ao usar isso como pretexto para uma negociação previamente anunciada que aconteceria.

Agora este bandido, que no vídeo acima aparece baleando Marlon do Valle, foi preso e não pode ter regalias. A sociedade, que muito bem se manifestou no dia de ontem, precisa continuar de olho, porque com toda certeza, ainda existe muita água para passar por essa ponte. Muita coisa ainda pode acontecer, e ele por exemplo não poderá responder esse crime em liberdade. Esse caso não pode existir nenhum tipo de liberação. O poderio de influências, favores e até financeiro, pode falar muito alto nestes casos, e a única maneira disso não acontecer é usarmos mecanismos de controle e transparência, para acompanharmos esse caso.

Que ele seja julgado, condenado e esse caso seja usado como exemplo para todos que acham que a impunidade é uma arma, e as vezes muito mais letal do que uma arma de fogo. Ele precisa virar um exemplo para os grande sobrenomes, para que as pessoas entendam que suas histórias não vão mudar as regras de uma sociedade. È claro, e muito importante dizer, que os familiares não são culpados pela ação de membros da família, porém vale lembrar que as críticas no post anterior, permanecem, e são direcionadas para uma elite que trabalha para influenciar toda uma sociedade, e permanecer no poder de suas cidades.

Agora enfim, é esperar, e acompanhar, e claro, observar, educar, mudar. Precisamos fazer mais por nós mesmos, e por nossa sociedade.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O CHORO DE CABRAL E OS FILHOS DOS OUTROS.

Sérgio Cabral, Governador do Rio, pede o fim das manifestações na porta da sua casa, em nome de seus filhos. E em nome dos filhos de Amarildo? E em nome dos filhos dos professores do estado do Rio, que são roubados diariamente com um piso salarial humilhante? E em nome dos nossos filhos sofrendo nas filas das UPA’s? Em nome de todos os filhos, que não são filhos dos financiadores da campanha de Cabral, peço o fim deste Governo e sua tentativa de nos assolar com seu pé grande.
           
           Sérgio Cabral decidiu fazer pedidos e o seu grande pedido foi o fim das manifestações na porta da sua casa, na Zona Sul do Rio, e a sua justificativa me deixa ainda mais consternado, principalmente com a falta de razão do governador e da sua inércia mental, e claro, o pior, a sua impressão de que o mundo a sua volta não existe. Em entrevista coletiva,  Sérgio Cabral, pede o fim das manifestações na porta do seu lar, com se pode ver no vídeo ao lado, e pede isso pelo seus filhos. Declara ainda que a porta da sua casa é um lugar importante, e que em nome da sua família, quase suplicava para que não houvesse mais manifestações em frente ao prédio onde mora.

Ora, Governador, pelos seus filhos? E pela minha filha? O que eu poderia lhe pedir? E em pelos filhos de tantos outros cariocas que tem sido assaltados por seu governo? Vamos ao exemplo, e os filhos dos professores da rede estadual de ensino? Esses filhos são muito mais atormentados do que os seus Governador, pois são vítimas de um sistema absurdo que assola a educação deste estado com pisos salariais vergonhosos e um sistema pedagógico falido e sem a menor democracia.

E os filhos do cidadão do Estado do Rio de Janeiro, que estudam no colégio público estadual, e não tem professores, vivem com a falta de estrutura escolar e assistem dia a dia a falência do ensino público bancado pelo senhor Governador.

E os filhos do Amarildo? Mais uma vítima da sua polícia, que representa os interesses do seu governo em oprimir o pobre, enquanto o senhor alimenta a mesa dos empreiteiros, que lhe cobram o preço de lhe financiar nas suas campanhas eleitorais milionárias. Os filhos do Amarildo são apenas números na conta de um governo que não se importa com nada e nem com ninguém. Um governo que passeia em Paris enquanto as UPA’s estão lotadas, enquanto as UPP’s somem com pessoas inocentes, enquanto seus aliados se apossam dos setores públicos, os saqueando e sucateando, que diga o DETRAN.

E a mãe que perdeu sua filha em Campo Grande? O que ela pode pedir ao senhor Governador? Nada, sua filha morreu, e nunca o senhor em nome dela, ou de qualquer outra criança se importou com aquele local, onde vazamentos já tinham ocorrido. Mas lá o Papa não passa, e nem tem jogo da Copa. Quanto custa a CEDAE? A vida da menina? Para o senhor e seu vice com cara de ponto de interrogação, tudo vale, principalmente o silêncio.

Em nome de muitos filhos, lhe ordeno que trabalhe para que os hospitais funcionem, que a EDUCAÇÃO seja tratado com respeito, que o professor seja valorizado, que a segurança seja para todos, que a Aldeia seja dos índios, que o Maracanã seja do povo e que o senhor acorde para as reais necessidades do nosso estado.

O brilhante jornalista da ESPN, Lúcio de Castro publicou essa semana um artigo que se inicia com um poema de Nicolás Guillén, que fala do choro da burguesia, e me fez pensar, e gostaria de compartilhar no final desta postagem um trecho deste poema, assim como o artigo de Lúcio (clique aqui). O choro de Cabral ao me comove, e não comove a ninguém, pois não passa de uma falácia moral. Tanto não comove que no mesmo dia da sua entrevista pessoas começaram a acampar na calçada em frente ao prédio de Cabral no Leblon.

Tenho uma filha, e em nome dela faço muitas coisas, e deixo de fazer outras. E em nome dela, Governador, quero lutar pelo seu fim, pela sua derrota. Pelo futuro dela, quero permanecer no combate pelo fim de governos como o seu, pelo fim da sua polícia, e pelo fim desta gestão regada a corrupção e a agrados para com seus amigos, em troca de benefícios financeiros eleitorais. Percebe-se portanto que de acordo com os atos de Cabral, estamos ajudando na educação de seus filhos. É de suma importância para eles, entenderem que o mundo além das belas janelas do Leblon, existe e clamam por mudanças. É muito importante ensinarmos para os filhos do Cabral que a vida não é andar de helicóptero as custas do povo, nem de empreiteiros, quem emprestam seus jatinhos.

Em nome de todos os filhos, o seu choro, por mais falso que seja, apenas me prova que estamos no caminho certo.


"Não me dão pena os burgueses
vencidos. E quando penso que vão me dar pena,
aperto bem os dentes e fecho bem os olhos.
Penso em meus longos dias sem sapatos nem rosas.
Penso em meus longos dias sem abrigos nem nuvens.
Penso em meus longos dias sem camisas nem sonhos.
Penso em meus longos dias com minha pele proibida.
Penso em meus longos dias".

("Burgueses", de Nicolás Guillén)