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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

CIDADES: BARRA DO PIRAÍ - FICHA SUJA ZÉ LUIS GANHA CARGO NO ESTADO.

Ficha Suja Zé Luís, ganha cargo no Estado e imprensa Barrense ainda chama isso de benção do Pezão para Barra do Piraí. Será Mesmo?

Antônio Sérgio -
Barra do Piraí
Tem acontecido em Barra do Piraí uma situação que tem gerado dúvidas da população e eleitores em geral, por causa de uma notícia que foi veiculada na última edição de um semanário barrense chamado “A Voz do Povo”, a respeito de um político cassado pela lei da ficha limpa, que está ocupando um cargo de assessor do vice-governador Luis Pezão.

O político em questão é José Luis Anchite, que nas últimas eleições se destacou como uma grande liderança política regional, semelhantemente a que é exercida por Lula no âmbito federal, assunto ao qual eu tratei no meu artigo anterior. A presença de Anchite foi considerada fundamental para a eleição de Jorge Babo, que mesmo nunca tenha exercido cargo eletivo, foi vencedor das últimas eleições para a prefeitura municipal de Barra do Piraí, debaixo da forte influência que Anchite tem exercido junto ao eleitorado barrense, sendo chamado por alguns de “eterno prefeito”, “paizão”, entre outros apelidos que a classe política  dominante tem usado para alicerçar ainda mais a imagem de grande benfeitor barrense, tornando-o uma liderança  imbatível que tanto poderá ajudar seus aliados políticos.

Mas existe um problema crucial nisso tudo: o Sr. Anchite foi cassado pelo TRE, no ano passado por abuso do poder econômico e dos meios de comunicação, conforme mostra esse trecho da lei extraído do site http://www.fichalimpa.org.br: Praticantes de abuso de poder político, econômico ou dos meios de comunicação      Aqueles que receberam condenação por um Tribunal Regional Eleitoral ou pelo TSE, desde que a decisão não tenha sido modificada posteriormente.8 (oito) anos a contar da eleição em que ocorreu o fato. Sendo assim conforme denunciou o jornal, José Anchite está impedido de exercer cargo político ou qualquer outro cargo de confiança em governo algum, pois segundo a Lei Estadual, alterada pela Emenda 50/11, “ Art. 1°. Fica incluído o inciso XXIX ao artigo 77 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, com a seguinte redação: XXIX- é vedada a nomeação de pessoas que se enquadram nas condições de inelegibilidade nos termos da legislação federal, para todos os cargos de livre provimento dos poderes Executivo”. Além  de ter sido cassado na ação que cassou também Maercio de Almeida(PMDB) e Dr. Junior (PV), Anchite também teve  suas contas de 2010 rejeitadas junto ao TCE/RJ e posterior parecer dos vereadores, no ano passado, acatando as irregularidades apontadas pelo órgão, sendo assim comenta-se na cidade que Anchite é cassado duas vezes o que é um numero bem problemático considerando que Barra do Piraí é um pequeno município, e imagina o “estrago” que faria um político assim no governo do Estado do Rio de Janeiro por exemplo.

Entretanto outro semanário barrense intitulado “O Barrense”, apesar de também ter feito menção aos problemas que o político tem enfrentado na justiça, foi mais generoso com Anchite em relação a notícia de sua nomeação a assessor, com os dizeres : “Sua bênção, Pezão”, demonstrando bastante alegria e contentamento, de ver Anchite galgando mais esse degrau. Será que essa alegria se deve ao fato desse jornal pertencer a família do vice prefeito cassado Dr. Junior, que teve sua campanha cassada pela justiça eleitoral devido ao abuso de poder econômico e dos meios de comunicação, sendo esse mesmo veículo sendo largamente usado para a promoção política do grupo preferido da elite barrense? Eis a questão...

Porém, o mais alarmante na reportagem do jornal O Barrense foram as explicações dadas pelo vice-governador Pezão para a nomeação de Zé Luis Anchite, leiamos um trecho da reportagem: “Segundo o vice-governador Pezão, a nomeação de Zé Luis Anchite se deu porque ele teria feito um “belo trabalho” à frente da prefeitura de Barra do Piraí e vai colaborar com o direcionamento de investimentos que o Governo do Estado pretende dirigir a região. Anchite foi um ótimo administrador e é um nome importante para nos ajudar...

Um belo trabalho? Quer dizer então que o nosso vice-governador considera um ótimo trabalho um administrador do executivo municipal ter suas contas cassadas pelo TCE/RJ? É dessa forma que o Sr. Pezão considera ser o trabalho de um bom administrador, como ele mesmo disse ser o José Anchite? É dessa ajuda que o vice-governador está precisando? Não tem ninguém mais competente (ou honesto) para ajudar o nosso vice-governador, ou será que é dos cassados políticos com contas rejeitadas pelo tribunal de contas (TCE) que ele gosta e considera crucial para seus planos políticos? É com esse critério que Pezão julga ser competente para ser o governador do nosso estado? É com esse critério e padrão de bom administrador que ele julga ser merecedor de nossos votos? Pra que ele quer ser Governador, pra ser cassado como seu assessor que ele considera ter sido um ótimo administrador? Confesso que até me deu arrepios ver o vice-governador Pezão chamar a administração de um político cassado e com contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/RJ) de “belo trabalho”, será esse o belo trabalho que Pezão pretende fazer caso seja eleito Governador do Rio de janeiro, tomara que não..


A verdade é que Zé Luis Anchite é hoje o maior cabo eleitoral da cidade e um dos maiores da região, já que Barra do Piraí é uma cidade que tem influência em pequenas cidades da região, como Vassouras, Valença, Piraí, Pinheiral e Mendes por exemplo, parte importante do interior sul do estado, reduto de Pezão. Segundo o jornal O Barrense, Anchite teve quase 80% de aprovação ao final de seu mandato e ele chega até mesmo ser mais influente que Lula, Dilma e Cabral juntos. É, parece que mesmo com tantos problemas em sua administração 80% dos eleitores de Barra do Piraí ainda não se dão conta da importância de uma boa administração que zele pelo bom uso do dinheiro público, com contas dignas de aprovação e honestidade e que zele pela justiça em seus procedimentos políticos e que essas características são tão importante quanto obras de asfalto e água encanada e embezamento de praças, coisas essas que são o mínimo esperado de um político que foi eleito para isso, para que cumpra a sua função, e enquanto o povo ficar alheio às competências e deveres dos políticos e se alegrando com migalhas, veremos o surgimento e proliferação de líderes com essas administrações temerárias, com contas rejeitadas, suspeita de enriquecimentos ilícitos (como o suspeitíssimo e contestado enriquecimento de Cabral, por exemplo), casos de cassação pela justiça e inclusão de nomes na lei da ficha suja, e que mesmo assim gozará de prestígio junto a um povo que além de analfabeto funcional parece ser também analfabeto político, que cai nos enganos daqueles que se colocam como salvadores da pátria, grandes benfeitores amigos do povo, quando na verdade não estão fazendo o mínimo necessário que a competência da função lhes exige, e não percebe que por trás do tão esperado asfalto ou água encanada podem estar escondidos milhões de reais desviados dos cofres públicos nos incansáveis casos de corrupção que tanto assolam o nosso país e nossas cidades, ou seja esses grandes líderes além de enriquecerem alimentados pelo engano do inocente e passivo povo ainda se perpetuam no poder desfrutando da falsa imagens de amantes da cidade, do estado ou país e mais mentirosamente ainda se dizem amigos do povo, quando na verdade são amantes de si mesmos, do poder e do dinheiro sujo que esse poder lhes traz. Se o gigante realmente acordou então quando será que nós pequenos cidadãos iremos acordar também?

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O CHORO DE CABRAL E OS FILHOS DOS OUTROS.

Sérgio Cabral, Governador do Rio, pede o fim das manifestações na porta da sua casa, em nome de seus filhos. E em nome dos filhos de Amarildo? E em nome dos filhos dos professores do estado do Rio, que são roubados diariamente com um piso salarial humilhante? E em nome dos nossos filhos sofrendo nas filas das UPA’s? Em nome de todos os filhos, que não são filhos dos financiadores da campanha de Cabral, peço o fim deste Governo e sua tentativa de nos assolar com seu pé grande.
           
           Sérgio Cabral decidiu fazer pedidos e o seu grande pedido foi o fim das manifestações na porta da sua casa, na Zona Sul do Rio, e a sua justificativa me deixa ainda mais consternado, principalmente com a falta de razão do governador e da sua inércia mental, e claro, o pior, a sua impressão de que o mundo a sua volta não existe. Em entrevista coletiva,  Sérgio Cabral, pede o fim das manifestações na porta do seu lar, com se pode ver no vídeo ao lado, e pede isso pelo seus filhos. Declara ainda que a porta da sua casa é um lugar importante, e que em nome da sua família, quase suplicava para que não houvesse mais manifestações em frente ao prédio onde mora.

Ora, Governador, pelos seus filhos? E pela minha filha? O que eu poderia lhe pedir? E em pelos filhos de tantos outros cariocas que tem sido assaltados por seu governo? Vamos ao exemplo, e os filhos dos professores da rede estadual de ensino? Esses filhos são muito mais atormentados do que os seus Governador, pois são vítimas de um sistema absurdo que assola a educação deste estado com pisos salariais vergonhosos e um sistema pedagógico falido e sem a menor democracia.

E os filhos do cidadão do Estado do Rio de Janeiro, que estudam no colégio público estadual, e não tem professores, vivem com a falta de estrutura escolar e assistem dia a dia a falência do ensino público bancado pelo senhor Governador.

E os filhos do Amarildo? Mais uma vítima da sua polícia, que representa os interesses do seu governo em oprimir o pobre, enquanto o senhor alimenta a mesa dos empreiteiros, que lhe cobram o preço de lhe financiar nas suas campanhas eleitorais milionárias. Os filhos do Amarildo são apenas números na conta de um governo que não se importa com nada e nem com ninguém. Um governo que passeia em Paris enquanto as UPA’s estão lotadas, enquanto as UPP’s somem com pessoas inocentes, enquanto seus aliados se apossam dos setores públicos, os saqueando e sucateando, que diga o DETRAN.

E a mãe que perdeu sua filha em Campo Grande? O que ela pode pedir ao senhor Governador? Nada, sua filha morreu, e nunca o senhor em nome dela, ou de qualquer outra criança se importou com aquele local, onde vazamentos já tinham ocorrido. Mas lá o Papa não passa, e nem tem jogo da Copa. Quanto custa a CEDAE? A vida da menina? Para o senhor e seu vice com cara de ponto de interrogação, tudo vale, principalmente o silêncio.

Em nome de muitos filhos, lhe ordeno que trabalhe para que os hospitais funcionem, que a EDUCAÇÃO seja tratado com respeito, que o professor seja valorizado, que a segurança seja para todos, que a Aldeia seja dos índios, que o Maracanã seja do povo e que o senhor acorde para as reais necessidades do nosso estado.

O brilhante jornalista da ESPN, Lúcio de Castro publicou essa semana um artigo que se inicia com um poema de Nicolás Guillén, que fala do choro da burguesia, e me fez pensar, e gostaria de compartilhar no final desta postagem um trecho deste poema, assim como o artigo de Lúcio (clique aqui). O choro de Cabral ao me comove, e não comove a ninguém, pois não passa de uma falácia moral. Tanto não comove que no mesmo dia da sua entrevista pessoas começaram a acampar na calçada em frente ao prédio de Cabral no Leblon.

Tenho uma filha, e em nome dela faço muitas coisas, e deixo de fazer outras. E em nome dela, Governador, quero lutar pelo seu fim, pela sua derrota. Pelo futuro dela, quero permanecer no combate pelo fim de governos como o seu, pelo fim da sua polícia, e pelo fim desta gestão regada a corrupção e a agrados para com seus amigos, em troca de benefícios financeiros eleitorais. Percebe-se portanto que de acordo com os atos de Cabral, estamos ajudando na educação de seus filhos. É de suma importância para eles, entenderem que o mundo além das belas janelas do Leblon, existe e clamam por mudanças. É muito importante ensinarmos para os filhos do Cabral que a vida não é andar de helicóptero as custas do povo, nem de empreiteiros, quem emprestam seus jatinhos.

Em nome de todos os filhos, o seu choro, por mais falso que seja, apenas me prova que estamos no caminho certo.


"Não me dão pena os burgueses
vencidos. E quando penso que vão me dar pena,
aperto bem os dentes e fecho bem os olhos.
Penso em meus longos dias sem sapatos nem rosas.
Penso em meus longos dias sem abrigos nem nuvens.
Penso em meus longos dias sem camisas nem sonhos.
Penso em meus longos dias com minha pele proibida.
Penso em meus longos dias".

("Burgueses", de Nicolás Guillén)